Claude Code Mastery2 / 12
Instalação + o workflow antigravidade
Instalar Claude Code é trabalho de 30 segundos. Configurar o workflow que faz o agente parecer estar carregando o trabalho pesado — essa é a parte que ninguém escreve.
A maioria dos guias "primeiros passos com Claude Code" para no npm install. Isso não é começar. Isso é só instalar um binário.
A pergunta de verdade é: como você configura seu terminal para que dar um objetivo a um agente fique mais fácil que digitar o código você mesmo?
A isso eu chamo workflow antigravidade. Quando você tem isso, deixa de buscar autocomplete. Delegar vira o padrão.
Passo 1 — Instalar (30 segundos)
# Requer Node.js >= 18
npm install -g @anthropic-ai/claude-code
# Verificar
claude --version
É isso. Sem painel SaaS, sem dança de OAuth, sem extensão de IDE para depurar. Na primeira vez que você roda claude num projeto, ele pede sua API key da Anthropic e guarda em ~/.claude/.
Passo 2 — Inicializar o projeto
Na raiz do seu projeto:
cd my-project
claude
# Dentro do prompt do Claude
> /init
/init cria uma pasta .claude/ com:
settings.json— modelo, max tokens, permissões de tools.CLAUDE.md— o "system prompt" do projeto (lido a cada sessão).agents/— definições de sub-agentes que você cria ao longo do tempo.
Essa pasta é a feature mais subutilizada do Claude Code. A maioria deixa CLAUDE.md vazio. É o equivalente a contratar um engenheiro sênior e esquecer de contar o que seu produto faz.
Passo 3 — Escrever um CLAUDE.md de verdade
Um bom CLAUDE.md é mais curto do que você pensa. Três seções:
# Contexto do projeto
- O que é o produto, em 2 frases.
- Stack: framework, versão da linguagem, libs principais.
- Onde o deploy roda (Vercel / AWS / on-prem).
# Convenções
- Comando de teste: `pnpm test`
- Comando de lint: `pnpm lint`
- "Nunca modificar arquivos em `app/_generated/`."
# Definition of done
- Todos os testes passam, lint limpo, sem `console.log` em produção.
Claude Code lê esse arquivo no início de cada sessão. Na prática você está enviando uma janela de contexto permanente.
Passo 4 — O hábito antigravidade
Aqui está a virada de workflow que me levou de "IA é brinquedo" para "IA entrega features":
Hábito antigo
- Abrir editor.
- Ler código, pensar, digitar.
- Rodar testes.
- Depurar.
- Commit.
Tempo até uma feature pequena: 1 a 3 horas.
Hábito antigravidade
- Abrir terminal no repo.
claudee enunciar o objetivo.- Tomar um café enquanto ele trabalha.
- Revisar o diff.
- Commit.
Tempo até uma feature pequena: 5 a 15 minutos.
A virada-chave: o terminal é o IDE. O que você revisa é o diff, não o arquivo. Você para de ler código de cima para baixo; passa a ler diffs.
Passo 5 — As permissões que você realmente quer
Por padrão Claude Code pergunta antes de rodar comandos shell. Depois da primeira sessão você vai ficar tentado a colocar --yes em tudo. Não faça.
Edite .claude/settings.json:
{
"tools": {
"shell": {
"allow": [
"pnpm test",
"pnpm lint",
"pnpm build",
"git status",
"git diff *",
"ls *",
"rg *"
],
"deny": [
"rm -rf *",
"git push *",
"npm publish *"
]
}
}
}
Esse é o ponto ideal: o agente roda qualquer coisa não destrutiva sem perguntar, mas nunca encosta no irreversível.
Passo 6 — Slash commands que você deveria ter no dia um
De fábrica você tem /init, /agents, /compact, /clear, /help. Os dois que mais uso:
/compact— quando a janela de contexto começa a inchar, ele reescreve o resumo mantendo as decisões intactas. É a diferença entre uma sessão de 4 horas e uma sessão de 4 mensagens./agents— abre o seletor de sub-agentes. Vamos a fundo no artigo 5.
Adicione comandos custom em .claude/commands/ mais adiante na série — a maior parte dos times acaba criando pelo menos /review, /test-and-fix e /release-notes quando pega o jeito.
O que "antigravidade" significa de verdade
O nome veio de um amigo que disse: "Quando o Claude Code está bem ajustado, o trabalho não cai sobre mim. Ele flutua."
Na prática, isso vira três coisas:
- Você para de microgerenciar. Você dá um objetivo, não uma lista de passos.
- Você confia no loop. Ler, planejar, escrever, testar, iterar — você deixa rodar.
- Você só intervém em pontos de decisão. Arquitetura, nomes, design de contratos.
Todo o resto — boilerplate, refactors, encanamento de testes, gestão de dependências — passou a ser problema do agente.
Próximo artigo: Escrever prompts que funcionam. Porque "deixa melhor" não é prompt. Vamos ver a estrutura de quatro partes que faz o Claude Code de fato terminar o que você pede.
Série — Claude Code Mastery
- Parte 01Claude Code vs ChatGPT vs Copilot vs agentesA maioria dos desenvolvedores está usando a ferramenta de IA errada para a tarefa errada. Aqui está o porquê — e o que fazer no lugar.
- Parte 02Instalação + o workflow antigravidade — você está aquiInstalar Claude Code é trabalho de 30 segundos. Configurar o workflow que faz o agente parecer estar carregando o trabalho pesado — essa é a parte que ninguém escreve.
- Parte 03Escrever prompts que funcionam"Deixa melhor" não é prompt. "Refatore para performance" não é prompt. Aqui está a estrutura de quatro partes que faz o Claude Code de fato terminar o que você pediu.
- Parte 04Slash commands — construindo um projeto de A a Z/init, /agents, /compact e seus comandos custom. O kit que te leva da pasta vazia ao app rodando sem sair do prompt do Claude.
- Parte 05Sub-agentes — os 11 especialistas dentro do Claude CodeSlash commands reaproveitam prompts. Sub-agentes reaproveitam personas inteiras — code-reviewer, test-writer, migration-runner. Aqui está o time que você deveria ter no dia um.
- Parte 06Segurança em codebase de produçãoPermissões, guard-rails e o que não automatizar. O artigo nada sexy que decide se Claude Code vira infraestrutura ou vira o motivo de você ter sido chamado às 2 da manhã.
- Parte 07Pipelines multi-agenteEncadear sub-agentes, rodá-los em paralelo e os padrões para 'revisar-enquanto-codifica' sem perder a sanidade. Onde o Claude Code começa a parecer uma pequena org de engenharia.
- Parte 08Construindo features completasDo ticket no Linear ao PR mergeado com Claude Code. Um passo a passo real e honesto — como ficou o prompt, o que o agente acertou, o que peguei na revisão.
- Parte 09Testes e debugDeixar Claude Code dono de todo o loop de testes. Incluindo as partes que deixam engenheiros nervosos: regressões, flakies, testes de integração e o sussurrador de stack-trace.
- Parte 10Workflows de timeComo times de engenharia estão de fato integrando o Claude Code hoje. A pasta .claude/ compartilhada, os rituais de review e os antipadrões que vejo se repetindo no campo.
- Parte 11Padrões avançados — Hooks, servidores MCP, ferramentas custom, system promptsQuando você já cresceu além dos defaults: hooks para efeitos colaterais determinísticos, servidores MCP para dados da organização, ferramentas custom e cirurgia de system prompt.
- Parte 12O futuro do desenvolvimento agênticoPra onde isso vai em 2026 e além. No que eu apostaria, no que não, e a linha além da qual eu fico cético com o hype.